O dia em que roubaram o meu carro
Essa história me envergonha muito, mas mesmo assim compartilharei.

Eu havia acabado de entrar no meu atual local de trabalho. Estava pagando cinco reais por dia de estacionamento. Os meus colegas deixavam os seus carros na rua e nunca havia acontecido nada. Pensei: cinco pilas por dia? Não, vou é parar o carro na rua também! E assim fiz no meu décimo dia de trabalho.
No décimo primeiro dia estacionei o meu possante novamente na rua e subi para minha sala. Trabalhei o dia todo e quando voltei ao local onde havia estacionado o meu carro não o vi. Gelei, dor de barriga imediata: -Dels, será que os fiscais levaram meu carro porque extrapolei a hora da área azul?
Perguntei para o caixa do estacionamento mais próximo se a fiscalização tinha passado por ali: -Não moça, passaram aqui hoje não e mesmo que tivessem passado, eles não guincham os carros, só multam. Meu chão sumiu. Roubaram meu automóvel! Ligar primeiro para minha mãe ou para a polícia?
Mãe: -Fabíola você não deixou em outro lugar? -Não mãe, só deixo aqui (aos prantos).
Polícia: – a senhora quer uma viatura no local ou vai até a delegacia de furtos e roubos? – Os dois moça.
E assim foi-se uma longa noite. Uma hora para a viatura chegar, mais uma hora para fazer o BO. Uma hora para chegar na Delegacia de Furtos e Roubos de veículos automotores, uma hora para registrar a ocorrência, uma hora esperando a impressora funcionar. Cansei e fui embora sem o BO impresso.
Isso tudo foi numa terça. Na quarta pela manhã retornei a delagacia de furtos e roubos e peguei o documento, em seguida fui à seguradora e entreguei a papelada necessária para começar o processo do seguro. Como no outro dia seria feriado e a sexta-feira seria enforcada, optei por pegar o carro reserva na segunda, pois eu só teria dez dias deste serviço e o pagamento do seguro poderia demorar até 30 dias e eu não queria ir de ônibus para o trabalho que fica a 17 KM da minha casa. E assim foi um feriado sem carro, de molho no meu doce lar, sem acreditar que roubaram meu veículo que me garantia o direito de ir e vir e que, de lambuja, os ladrões haviam levado a minha jaqueta linda e meu cd do Queen.
Segunda-feira cedo, no sétimo dia após o furto, a seguradora me manda um carro reserva. Vou para a labuta, pago cinco pilas de estacionamento e subo para o local que trabalho. A minha sala tem a parede externa de vidro e fica no décimo andar de um prédio. Ao sentar na minha cadeira, virei-me para a janela e fiquei olhando sem rumo para o horizonte. Olhar fixo na avenida Tocantins, uma das avenidas mais movimentadas de Goiânia, bem no centro da capital. Olho as árvores e vejo um carro azul igual ao meu. Insight. Dez andares de escadaria são descidos na velocidade 5 por essa anta pessoa que vos fala. Atravesso a rua e eis a visão: meu carro. Gargalhadas homéricas, orgásticas. Sim, eu havia estacionado o carro ali no dia em que pensei que ele havia sido furtado
….
Até hoje me pergunto como eu consegui isso. A lembrança que tenho de euzinha estacionando o carro naquele lugar é bem vaga.Essa história para mim é muito bizarra. Poxa, meu carro ficou sete dias parado numa das avenidas mais movimentadas de Goiânia, intacto, não roubaram sequer o fundo do som! E a polícia que faz a ronda do bairro não suspeitou de um carro parado no mesmo local por 7 dias consecutivos, sendo que durante os feriados o centro de Goiânia morre?
Poucas pessoas sabem dessa história. No meu trabalho ninguém sabe. Claro! Para uma recém-chegada isso seria caso de isolamento total: -aquela louca ali? Não confia no que ela diz!
O meu corretor disse que é normal pessoas ligarem para ele falando que roubaram os seus carros quando na verdade esqueceram onde eles estavam, mas diz ele, também, que essa situação não ultrapassa quatro horas. Várias pessoas já me falaram isso, porém dizem que o recorde de tempo de amnésia é meu. Aliás, não foi nem amnésia, porque se dependesse de eu lembrar o local em que estacionei pela última vez, o meu carro nunca mais seria encontrado. Foi sorte mesmo. Sorte de eu ter a mania de contemplar o infinito!

