Vivo ou morto?

Quando era pequena, adorava aquela brincadeira… Como é mesmo o nome dela? Aquela… Ah, lembrei, é : vivo, morto! Não havia sensação melhor do que a de ser vencedora. Ganhar no vivo morto fazia com que eu me sentisse esperta, a melhor entre todos. Já minha prima, morria de medo quando agente falava a palavra morto. Coisas de sonsinhas…
Não sou mulher de me assustar com pouca coisa. É claro que as fotos da Ana Maria Braga de biquíni, mulher melancia na Playboy com uma perna só e Susana Vieira pagando de gatinha não contam. Isso supera até a Ângela Bismarchi sem maquiagem.
Hoje durante o meu almoço frustrado de férias, vi algo que realmente me assustou. Alguém pulou o muro do Cemitério Parque aqui de Gyn City, arrombou uma sepultura, e deixou o caixão virado, expondo o cadáver para quem quisesse ver. O corpo era de uma mulher, uma senhora que havia sido enterrada ontem. Motivo da morte? Isso ninguém disse. Acho que não é importante.
É sério que esse fato me assusta, já que inúmeras possibilidades para esse acontecimento me passam pela cabeça. Seria um amigo distante que chegou atrasado e mesmo assim decidiu dar o último adeus? Mas que amigo seria esse, que não se preocuparia em colocar novamente o pobre cadáver em estado de descanso? Poderia também ser alguém procurando por dentes de ouro ou jóias, mas descartei logo essa possibilidade, pois alguém que tivesse algo de ouro junto ao corpo não seria enterrado em tal cemitério. Pensei então em magia negra, o que também não convence, já que a senhora era branquinha da silva. DNA caseiro? Exumação clandestina? Fuga frustrada? Nada encaixava… Fui obrigada a pensar na mais estúpida e assustadora das possibilidades: necrofilia! Sim, a impulsão macabra e obsessiva de copular ou de praticar atos libidinosos com cadáveres. Resolvi explicar o que é, na possibilidade de algum dos meus sobrinhos ser leitor do blog.
Assumo que minha pseudo inocência me fez ficar realmente assustada com esse fato e sou incisiva em dizer que os policiais que foram chamados ao cemitério estão também, tão perdidos quanto eu. Vocês precisariam vê-los com as mãos na cintura e no lugar onde deveria estar o rosto, um enorme ponto de interrogação.
Brincadeiras a parte, desejo sim que a polícia encontre quem faz esse tipo de coisa, já que perder a dignidade enquanto vivo, vá lá, mas depois de morto é assustador, pois viola o direito de defesa que temos enquanto donos do nosso corpo, nos fazendo meros objetos do sensacionalismo barato e vulgar. Pra mim, o mais estranho de tudo é que o autor dessa barbaridade, mesmo vivo, pode estar morto de vários sentimentos e, com certeza, não há nada pior que isso.

