Loucademia

Com sete meses de atraso resolvi cumprir uma promessa de ano novo, malhar em uma academia.
Como fazia uma década muito tempo que não passava na porta de academias de ginástica, fiquei maravilhada com as novas descobertas que para vocês podem ser banais. Aquelas esteiras e bicicletas que no máximo marcavam a distância percorrida deram lugar a aparelhos super modernos que mostram no painel até a cor da sua calcinha.
Porém, algumas coisas nunca mudam, como, por exemplo, a velha Maria Anfetamina com sua malha colada e curta, argola de strass nas orelhas, sempre acompanhada de sua amiga gordinha que inspirada na sua musa traja a mesma malha, com a diferença que nesta saltam dobras de gordura. Ou o quarentão frustado, que se entope de suplementos, veste sua camiseta “subaqueira” e espera a Maria Anfetamina ou a novata (eu) passar pela sua frente para erguer o peso de 50 quilos, esquecendo-se que da última vez que fez isso “descadeirou”. Ah, esses tipos nunca saem da moda.
Mas o que me chamou a atenção foram as novas modalidades que são um sucesso na academia.
A primeira é o forró mastubatório universitário . Funciona assim, o rapaz bobão arruma um par, uma bobinha, claro, porque a Maria Anfetamina só dança com os rapazotes bonitos e marombados. Aí eles dançam uma mistura de lambada e forró, mas sem o dois pra cá e dois pra lá, giram, apoiam as meninas entre uma de suas pernas, essas dão uma esfregadinha e pronto, eis o forró universitário.

A segunda, que mais me diverte, é a aula de swing. Não, não trata-se de troca de casais e sim coreografias de funk, axé ou coisa parecida. Na primeira fila, logo atrás do professor diretamente importado de Porto Seguro, ficam as Marias Anfetaminas, na segunda fila as amigas gordinhas das Marias e na tereira ficam os tipos mais curiosos. A desengonçada, a ex-dançarina de balé e a iniciante. A desengonçada é a falta de ritmo em pessoa, você observa os movimentos dela, percebe que são conforme as instruções do professor, mas alguma coisa estraga, talvez a coluna corcunda, talvez o macacão que marque sua bunda, ou a falta dessa, não sei ao certo, só sei que ela parece uma mistura de mãe de santo com Lacraia. Já a ex-bailarina tenta fazer todos os passos com classe, ela desce até o chão num quase plié, gira como se fosse uma pirueta e os ombros lineados não a deixa atingir a velocidade 5, é uma dama. E a iniciante é uma mistura da desengonçada com a bailarina, alguns passos ela evita e os que ela resolve fazer quase deslocam o seu quadril. Eu me encaixo em qual? Nas espectadoras que ficam fora da sala morrendo de rir, porque para a academia não basta ter essa modalidade de dança, tem que fazer a sala de vidro para todos verem o circo.

E a terceira modalidade são as lutas, no caso Muay Tai, que até então eu ignorava a existência. Lá, reúnem-se todos os candidatos a pitboy da academia. Revezam-se no saco de pancadas, alguns se contentam em apenas dar seus murros e pontapés, mas outros não, outros tem que gritar, como se estivessem em frente a um monstro intergaláctico, prestes a dar o golpe fatal : Ahhhhh, uaáaa, iáaaa. Esses não são adeptos da filosofia do professor Miagui.
Bom, até agora observei somente essas modalidades, mal posso esperar pelas aulas de pilates, abdominais e jump. Ir para a academia está sendo uma tarefa orgástica. E confesso que esse amor entre mim e a malhação tem de tudo para durar um longo tempo.


E tem aqueles que ficam em frente ao espelho fazendo pose de Stalone, gahsgahdfsdhfsgh.