Postado por Priscila em 28 de julho de 2009 na categoria
Sem categoria

Quando era pequena, adorava aquela brincadeira… Como é mesmo o nome dela? Aquela… Ah, lembrei, é : vivo, morto! Não havia sensação melhor do que a de ser vencedora. Ganhar no vivo morto fazia com que eu me sentisse esperta, a melhor entre todos. Já minha prima, morria de medo quando agente falava a palavra morto. Coisas de sonsinhas…
Não sou mulher de me assustar com pouca coisa. É claro que as fotos da Ana Maria Braga de biquíni, mulher melancia na Playboy com uma perna só e Susana Vieira pagando de gatinha não contam. Isso supera até a Ângela Bismarchi sem maquiagem.
Hoje durante o meu almoço frustrado de férias, vi algo que realmente me assustou. Alguém pulou o muro do Cemitério Parque aqui de Gyn City, arrombou uma sepultura, e deixou o caixão virado, expondo o cadáver para quem quisesse ver. O corpo era de uma mulher, uma senhora que havia sido enterrada ontem. Motivo da morte? Isso ninguém disse. Acho que não é importante.
É sério que esse fato me assusta, já que inúmeras possibilidades para esse acontecimento me passam pela cabeça. Seria um amigo distante que chegou atrasado e mesmo assim decidiu dar o último adeus? Mas que amigo seria esse, que não se preocuparia em colocar novamente o pobre cadáver em estado de descanso? Poderia também ser alguém procurando por dentes de ouro ou jóias, mas descartei logo essa possibilidade, pois alguém que tivesse algo de ouro junto ao corpo não seria enterrado em tal cemitério. Pensei então em magia negra, o que também não convence, já que a senhora era branquinha da silva. DNA caseiro? Exumação clandestina? Fuga frustrada? Nada encaixava… Fui obrigada a pensar na mais estúpida e assustadora das possibilidades: necrofilia! Sim, a impulsão macabra e obsessiva de copular ou de praticar atos libidinosos com cadáveres. Resolvi explicar o que é, na possibilidade de algum dos meus sobrinhos ser leitor do blog.
Assumo que minha pseudo inocência me fez ficar realmente assustada com esse fato e sou incisiva em dizer que os policiais que foram chamados ao cemitério estão também, tão perdidos quanto eu. Vocês precisariam vê-los com as mãos na cintura e no lugar onde deveria estar o rosto, um enorme ponto de interrogação.
Brincadeiras a parte, desejo sim que a polícia encontre quem faz esse tipo de coisa, já que perder a dignidade enquanto vivo, vá lá, mas depois de morto é assustador, pois viola o direito de defesa que temos enquanto donos do nosso corpo, nos fazendo meros objetos do sensacionalismo barato e vulgar. Pra mim, o mais estranho de tudo é que o autor dessa barbaridade, mesmo vivo, pode estar morto de vários sentimentos e, com certeza, não há nada pior que isso.
Tags:cemitério, Goiânia, morto, vivo
Gostou? Leia mais.
Postado por Fabíola Ariadne em 23 de julho de 2009 na categoria
Sem categoria

Porta-lápis almejado hoje.
Acabei de chegar da papelaria. Adoro comprar papéis coloridos, canetas coloridas, borrachas coloridas. Nem uso, mas compro. Eu sou daquelas pessoas que na época da escola comprava um monte de coisa fofinha no início do ano e ficava louca para começar as aulas, só para poder usar o fichário novo. Pena que a empolgação não passava de uma semana.
Acho que esse meu consumismo papelístico tem origem de um trauma infantil. Again!
Lá pelo fim dos anos 80, início dos 90, me apaixonei por um porta-treco. Na verdade hoje eu chamaria o objeto de porta-lápis, mas na época era esse mesmo, porta-treco. Ocorre, que nos longínquos anos 80/90 havia uma coisa que arrasava a vida das crianças, era a tal inflação.
Quando vi o porta-trecos, exemplificando, ele deveria custar uns dois mil cruzeiros. Isso mesmo, MIL, eram os números usados na época. Lembro-me que um milhão não era nada! Logo, diante da recusa do meu pai presentear-me com o mimo, resolvi economizar o dinheiro do lanche da escola para poder comprar o tal objeto desejado mais que balinhas Banda!
Depois de uma semana de economia corri até a papelaria com a certeza que naquele dia, meus lápis-de-cores teriam lugar para ficar. Mas, deparei-me com a realidade, a famigerada inflação havia aumentado o preço. Não me lembro o quanto, mas suponho que uns 500 cruzeiros.
Como sempre fui muito insistente, conformei-me com mais uma semana sem lanche. Após cinco dias faminta volto a papelaria e o porta-treco já custava 3 mil cruzeiros. E assim sucedeu-se 4 semanas.
Eu não conseguia competir com a inflação. Nem eu e mais alguns milhões de brasileiros. E meu pai nada de me ajudar.
Então protestei. Contra o governo? Não, contra meu pai. Enfiei-me debaixo da cama, passei a tarde lá e quando meu pai chegou do trabalho deparou-se com a pequena enfurnada debaixo da cama, de bico e dizendo que ficaria lá até ter o porta-trecos.
E naquela mesma noite ajeitei os meus lápis, clips e borrachas coloridas no porta-trecos.
Ah, se existisse lojas 1.99 naquela época!
Tags:balinhas banda, cruzeiro, inflação, porta-treco, trauma
Gostou? Leia mais.
Postado por Priscila em 20 de julho de 2009 na categoria
Sem categoria
Aniversário é uma data muito especial na vida de cada um de nós, principalmente para aqueles que ainda não tem problema em relatar a idade. Para os que se envergonham dos números mando um aviso: a Glória Maria esconde a idade até da sua própria mãe, mas todos sabemos que ela é velha pacas.

Oh Glória!
Na adolescência eu começava uma contagem regressiva para o grande dia dois meses antes, pois era o tempo necessário pra lembrar minha mãe que eu ficaria mais velha (como se fosse necessário), para escolher o presente que eu iria ganhar e para… É, acho que era só pra isso mesmo.
Minhas festinhas eram simples e comemoradas na minha casa mesmo, com refrigerante e uma abundância de tortas deliciosas. Disso ninguém pode reclamar. Como não servíamos bebidas alcoólicas, nunca vivemos uma situação constrangedora. Ah, como sinto saudade daqueles aniversários normais…
Em abril deste ano, uma estagiária da empresa que trabalho me convidou para comemorarmos seu aniversário em uma boate bem famosa aqui de Goiânia. Mesmo gostando muito dela, não fui. Não sei bem o motivo, mas o fato é que não fui.
Na segunda-feira, toda cheia de culpa, fui perguntar como tinha sido a festa. Ela me relatou que foi ótima. Todos dançaram, beberam, menos ela, claro. Sim, ela é o que os conservadores chamam de boa moça. Daquelas que vão à missa aos domingos e não bebem de jeito nenhum. Disse também que assim que chegou a boate notou a presença de uma aluna e conversa vai, conversa vem, a aluna disse que era esposa do DJ e que tocaria as músicas que ela gostasse. Minha amiga, é claro, achou o máximo. Lá pelas tantas da madruga o DJ anunciou que a casa estava com um tequileiro especial naquela noite, que era um rapaz lindo e ex global. As mulheres ficaram todas enfurecidas e minha amiga começou a gritar: “Chama eu!!!” E não é que o DJ chamou mesmo ela. Nesse momento a boate parou pra ver minha amiga sentada na cadeira esperando pelo tal “tequileiro famoso”. Quando o tequileiro finalmente entra, a boate se transforma em um grande palco de risadas, pois o gatão nada mais era do que o anão que trabalha na casa de dança fantasiado de tequileiro. Coitada!

Mas o pior ainda estava por vir… O anão dançava todo sensual e a coitada fingia naturalidade pra não parecer malvada. Gente, o anão audacioso ainda segurou a cabeça da minha amiga e simulou sexo oral. A coitada quase morreu de vergonha, os amigos que ela convidou quase morreram de rir e eu, é claro, quase morri de arrependimento de não ter presenciado essa cena, pois ao invés de um texto, vocês estariam vendo agora o vídeo desse aniversário nada normal.
Gostou? Leia mais.
Postado por Priscila em 9 de julho de 2009 na categoria
Sem categoria

Aqui estou eu a bordo de uma aeronave cercada de pessoas medonhas por todos os lados… Desde quando as pessoas começaram a ficar estranhas? Acho que arrisco uma resposta. As pessoas começaram a ficar estranhas a partir do momento que comecei a me sentir velha. Acho todos muito estranhos. Cabelos esquisitos, jeito de sentar que me irrita, frases feitas, do tipo: “Se esse avião cair, vamos todos assistir ao show do Michael Jackson no além”. Juro por Manolo Blanic que não sou tão estranha quanto os outros. Minhas maiores esquisitices são a paixão desenfreada que tenho por doces e o medo que tenho de ser abraçada. Como a segunda esquisitice é muito complexa, deixarei para explicá-la pessoalmente a quem puder interessar, desde, é claro, que você não venha correndo com os braços abertos.
O almoço acabou de ser servido e sabe o que me entregaram como refeição? Um vergonhoso pacotinho de bolacha de sal e um copo de suco de laranja. Desde quando isso é almoço? Se minha mãe estivesse aqui ela diria: “Almoço é arroz, feijão e carne. Porcaria minha filha só come depois que almoçar tudinho”. Agora deu uma saudade da minha mãe. Sabe por quê? Ela jamais preparou uma refeição sem pensar na sobremesa. Na verdade a refeição pouco me importa. Tanto faz se é bolacha, arroz, caviar ou fígado. Eu quero é uma sobremesa!
Chamei a comissária e perguntei se tinha algo para sobremesa, podia ser uma barrinha de cereal e ela respondeu que só tinha balinhas. Sorte a dela que eu estava cercada de pessoas estranhas e me permiti apenas a retrucar com ar de ironia: “Balinha é o aperitivo da sobremesa, né? Desde quando balinha é sobremesa? Muito obrigada!” Gente, não é porque algumas pessoas tomam água após as refeições que ela se tornou sobremesa! Não é porque a balinha é docinha, que ela se tornou um doce digno de ser servido. Daqui há uns anos eles servirão saquinhos de açúcar refinado como sobremesa. Quer apostar?
Agora é o momento do texto em que eu deveria morrer de vergonha, pois ela acabou de me trazer um monte de balinhas 7 belo de maçã verde. Sim, estou escrevendo o texto aqui em uma poltrona apertadinha e sem nenhum conforto. Esquisito isso, não?
Tags:doces, estranhos, férias
Gostou? Leia mais.