Preguiça
Minha mãe sempre me ensinou que melhor do que falar é fazer. Por isso, eu e Priscilinha não postamos nada há treze dias. Estamos vivendo o “mais indolente pecado capital”: a Preguiça.

Minha mãe sempre me ensinou que melhor do que falar é fazer. Por isso, eu e Priscilinha não postamos nada há treze dias. Estamos vivendo o “mais indolente pecado capital”: a Preguiça.


Resolvemos abordar neste blog os pecados capitais e o primeiro que nos veio a cabeça foi este, a Ira. Não só porque este é um dos pecados capitais mais frequente em nossas vidas, mas também porque foi graças a este pecado que hoje nós podemos contar duas histórias dramáticas e orgásticas.
Momento “Sr. Donizildo” Fabíola:
Eu morava em um apartamento em que a janela do meu quarto era em frente a parede do outro apartamento, uns 5 metros de distância, e nessa parede havia somente uma janela basculante de banheiro, daquelas janelas pequeninas que os vidros são todos rabiscados e que para você ver algo do lado de fora é preciso subir em um banco e por o rosto somente na altura dos olhos pela fresta, porque a cabeça não passa.
Então, eu saía do banho e ficava a vontade para cumprir o ritual pós banho de mulherzinha: hidratante, pentear o cabelo, verificar a pele do rosto… Até que um dia vi um vulto na janela do banheiro vizinho e um olho esbugalhado. O lazarento do meu vizinho havia subido em um banco para me espiar. Como eu conhecia a mãe do fulano e meu irmão era conhecido dele eu somente fechei a cortina bem na cara dele, de forma bem abrupta para que ele percebesse que eu vi. E pronto. Umas duas semanas depois, saí do banho com uma toalha enrolada no corpo e outra na cabeça quando vi na janela do banheiro do vizinho uma sigla: JVC! Sim, aquelas filmadoras! Parada cardíaca na hora. Foi a primeira vez na minha vida em que perdi as estribeiras. Fingi que não havia visto nada, fui até a cozinha, peguei dois ovos, calmamente me dirigi a janela do meu quarto e joguei os ovos na janela do banheiro do FDP, um não acertou, o outro pegou bem na câmera. Puta da vida ainda, com dois mega passos de monstro da neve, pé grande ou qualquer outra coisa que tenha passos largos e pesados cheguei na porta da casa do maldito e esmurrei a porta dele, gritava: sai daí seu idiota, vem me filmar agora que eu te mato… Nisso, vizinhos já tentavam me acalmar e meu irmão ligava para o meu pai. Reclamei com a síndica, meu irmão ficou proibido de falar com ele e meu pai queria voltar de viagem para conversar com a mãe do lazarento. Mas, nenhuma medida foi tomada porque em menos de um mês ele se mudou! E claro, neste mês em que ele ainda foi meu vizinho ninguém mais o viu.
Momento “Sr. Donizildo” Priscila:
Destruí um casamento. Não, não sou uma vadia. O lance é que eu morava em frente a uma igreja evangélica e imaginem o dia que você chega em casa querendo cama depois de um dia de cão… Pois é, quando cheguei na minha casa a calçada estava ocupada por um gol marrom impossibilitande a entrada em minha garagem. Quem compra um gol marrom? Alguém que quer foder com o casamento do amigo! Fui toda humilde até a esposa do pastor e pedi que anunciasse para o dono do calhambeque sair da minha garagem, mas ela disse que eu teria que esperar o casamento acabar. Seu Donizildo era fichinha perto de mim. Comecei a gritar perguntando de quem era o tal gol marrom. A cara da noiva era de dar dó, tadinha… Nesse dia, ocupei o lugar de maluca da rua e ganhei minha passagem na primeira classe para o inferno, mas consegui dormir antes do fim do casamento.
E aí, tem alguém que já sentiu esse pecado capital para nos contar? O espírito do senhor Donizildo já baixou em algum leitor desse blog?
Uma vez quase terminei um namoro por causa do Vin Diesel. Ganhei uma revista onde a capa era uma foto do perfeito-ator-gato-gostoso, recheada com inúmeras imagens dele sem camisa, se é que algum dia ele já vestiu uma. Os invejosos dizem que ele é careca e a única coisa que ele tem pra oferecer são os músculos.Discordo. Aquela voz também é tudo de bom. Ah, e o que mais nós queremos? Ele tem personalidade, pegada e cara de mal.
Meu namorado tomou a revista das minhas mãos, jogou-a em cima da casa e ainda me proibiu de contar o feito pras minhas amigas. Agora me pergunto: Qual a graça de ter amigas se não falamos mal do nosso namorado pra elas? As minhas sabiam até a extensão do pênis do pobre coitado… Por que também não saber de uma cena digna de uma criança de 5 anos? Nem pensei duas vezes. Contei e fiquei uma semana sem falar com ele. Não achei graça nenhuma em ficar sem minha revistinha. Acho que tudo tem limite, com exceção da minha obsessão por sapatos e o número de dígitos que gostaria de ter na minha conta bancária.
Dei muitas voltas, mas é bem aí que quero chegar. Orkut, blog, twitter são formas de colocar todos a par do que nos acontece. Disponibilizamos informações de nosso cotidiano de forma dramática, orgástica ou até mesmo, desinteressante. Aproveitamos para engrandecer ou envergonhar nossos amigos, já que nesse meio todos são íntimos.
No orkut mandamos beijinhos, parabenizamos, escrevemos depoimentos e desejamos um ótimo final de semana para pessoas que mal conhecemos. Por outro lado, também podemos deixar alguém muito envergonhado nos auto afirmando de maneira covarde ou infantil. Acredito na máxima: “Não faça aos outros aquilo que não gostaria que fosse feito com você”.
Acredito, mas nem sempre coloco em prática. Porém,eu jamais jogaria fora a foto autografada que meu ex tinha da Mel Lisboa, jamais! Afinal, quem guardaria uma foto autografada da Mel Lisboa? Deixa quieto.
Difícil estabelecer um limite para tais brincadeiras, mesmo porque faço parte do time “bateu, levou”, mas com um pouco de bom senso qualquer um consegue perceber que o limite é o respeito, e que todos, independente de qualquer coisa, merecemos ser respeitados. Com exceção é claro, das mulheres que usam sandália com salto de acrílico. Por outro lado, também existem os coitadinhos: pessoas que adoram uma brincadeirinha, mas quando alguém responde a altura ou realmente dá um nocaute, esse se coloca no papel do eterno injustiçado, se transformando, de garoto enxaqueca a Cirilo da novela Carrossel, num eterno: “Eu só quis dizer”.
Ter maturidade e bom humor para aceitar brincadeiras é um aprendizado muito importante que levamos por toda nossa existência. Pedir desculpas é também algo muito digno, já que a vida nos oferece oportunidade de experimentar os dois lados da situação.
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