A minha vida tem trilha sonora
O que uma música nos faz? Não sei em vocês, queridos leitores, mas a mim ela alegra ou entristece o meu humor. A minha vida tem trilha sonora. Em todos os fatos, em todos os momentos, marcantes, fúteis, de angústia, de dor, de amor, de amizade, em tudo há trilha sonora. Todos os meus amigos tem uma música-identidade, por exemplo, ouço A Carta com Renato Russo e lembro do Tomaz, um grande amigo meu que na época da faculdade era o único a se arriscar tocando violão!
Uma música que amo é Under Pressure do Queen. Não pela letra, ou por que é do Queen, mas pela melodia, pelo arranjo. Quando a ouvi pela primeira vez me lembro do que senti, do que imaginei. É meio idota, não conto, mas digo, tinha muitos giros e eu estalava os dedos como na música, e nos últimos acordes do piano eu sumia, uma coisa totalmente David Coperfield, rs. Isso até me fez ter um grande prejuízo, porque em uma bela manhã, quando estacionava o meu carro na rua, eu estava com os fones do meu ipod nos ouvidos, ouvindo esta música, cantando toda feliz, empolgadíssima me vendo piruetar, estalando os dedos, quando engatei a ré e bati num motociclista que estava no meu ponto cego (mas a culpa foi dele, pois dei seta mas ele não esperou, achava que dava tempo, mas sei que agi errado também pq não é permitido dirigir com fones de ouvido e com toda razão, afinal se eu estivesse com os ouvidos desocupados teria ouvido o barulho da motoca!).
A música tem disso. Faz a gente ter sensações. Como ouvir Beira-mar do Zé Ramalho e não ter vontade de viajar num conversível, pegar uma bela estrada cheia de paisagens verdinhas? Confesso que nesta cena a cabeça é coberta por um lenço que cai no pescoço e voa com o vento, rs! Totalmente original!
Mas, ao mesmo tempo que há músicas que nos enche de vida, há, também, aquelas que nos deprime. E aí é que entra o gosto musical. Não gosto de música eletrônica, ela suga minha energia, mas não vou entrar no mérito do que não gosto. Prefiro falar do que gosto.
Engraçado que existe música que tem uma melodia, uma batida que nos atrai mesmo tendo uma letra deprimente, ou vice-versa. Por exemplo, axé. Uma grande parte tem letras medonhas, mas a maioria tem uma batida legal, que empolga. Não é à toa que os gringos tentam dançar essas músicas ou sambar. Não! Eles não pagam um mico porque não tem nada melhor para fazer! É porque é impossível ouvir uma percussão e não sentir vontade de dançar, pular, extravazar o que seu corpo sente, se remexer de qualquer maneira e não coregografado, por favor!. É impossível ouvir uma escola de samba ao vivo e não mecher os pés.
A música é isso, nos toca, nos encanta a cada nota ressoada, a cada verso declamado, a cada som ecoado. Como descrever o que meu corpo sente quando ouço o dedilhar de uma balada surgindo em um violão? Como controlar minha mente ao ouvir MPB? Como segurar o quadril ao ouvir um derbake?
Não tem jeito, querendo ou não, gostando ou não, a nossa vida sempre terá trilha sonora!
Under Pressure:


Realmente amiga, vida deveria ter trilha sonora. Parece que até consigo nos ver caminhando no shopping em busca do sapato perfeito e ao fundo a musiquinha do Fábio Jr. ” Demorei muito pra te encontrar agora eu quero só vc…”
Belo texto.
Congratulations!!!!
Esse Tomaz aí sou eu?? hehehe
Muito boa essa sua análise. A música é realmente encantadora e exerce um fascínio muito grande nas pessoas!